“Livro do Desassossego” – Nota de Início

pessoa2

Desde que entrei na sexta série, morro de vontade de ler este livro! Tive um professor de literatura que era louco (alucinado mesmo!) por Fernando Pessoa. Ele sempre falava dos heterônimos, da genialidade e de como uma só vida não podia abarcar toda a complexidade e riqueza daquele ser.

Falava também do fato de o bardo muitas vezes escrever em pé, tamanha a volúpia mental e emocional que o acometia quando se dedicava poesia. Ele era poeta e nutria um amor profundo pelo ofício, portanto, às vezes, ao falar de Pessoa faltava-lhe ar.

Ele falava com tanta paixão, com tanta certeza, que esta mesma se derramava e nos contaminava a todos a cada uma de suas aulas. Ansiávamos por elas.

Penso ser melhor assim: é necessário um poeta e escritor, para dar aula de literatura! Alguém que encare a matéria, não como matéria, mas como objetivo de vida. O mesmo se aplica às demais.

Apesar de muito fã de “Mensagem”, ele um dia nos falou sobre o “Livro do Desassossego”. De como Pessoa havia escrito um livro sobre a existência. Sobre aquilo que acontece entre os eventos, aqueles espaços de iminência aos quais não damos tanta bola.

Existe uma riqueza incalculável naqueles momentos que só você desfruta.  Um pôr-do-sol, uma vista bela (ou não), um som, uma sensação, um pequeno estado de lucidez que te proporciona a prosaicalidade da sua vida.  E você mesmo pensa: Poxa! Poderia escrever sobre isso! Só que não há uma história… é só um momento! E mesmo na impossibilidade de traduzi-lo em um registro coerente, todos vemos a preciosidade dessas horas.

Não é o milagre do acontecimento da vida que o detinha nesse livro, é o desassossego que germina entre um episódio e outro, estes espaços, essa incoerência da essência, que de tão pura contagia à todos. Mal posso esperar para ler!

Próxima descoberta: “Livro do Desassossego”.

Michelangelo Buonarotti e o Grupo de Laocoonte – Uma história de genialidade, sensibilidade, coincidências e suspeitas.

gmm20150321_behance_laocoonte09

O Grupo de Laocoonte. A imagem veio daqui.

Como faço as pesquisas para os posts dos livros concomitantemente com a sua leitura, ganho tempo para a produção textual do blog, mas com “Eneida” algo curioso aconteceu. Como em um simples levantamento acabei encontrando todas as informações necessárias, posterguei qualquer busca mais elaborada sobre as palavras que compõem o seu glossário e rol de personagens. Foi assim que compreendi a dificuldade dos escavadores do túnel de metrô de Atenas durante as Olimpíadas, e dezenas de outras cidades que encaram a modernidade ostentando ainda um passado milenar. A cada página lida, um manancial de histórias. Cada personagem tornou-se um tesouro, e o primeiro deles foi Laocoonte.

Bastou recomeçar a investigação após ler a epopéia, para deparar-me com dezenas de assuntos e curiosidades que poderiam vir a se tornar posts no blog. Esta é uma delas, os fatos por trás da descoberta da estátua que retrata o momento que Laocoonte e seus filhos são atacados pelas serpentes enviadas por Apollo. Cena descrita por Virgílio nos capítulos iniciais de “Eneida”.

plinio o velho

Trecho da obra de Plínio em latim que cita a escultura.

“O grupo de Laocoonte” é uma peça de arte da Antiguidade Romana (data de por volta de 40-37 A.C) e permaneceu durante muitos séculos dada por perdida. É citada na obra do historiador “Plínio, o velho”, e seu último paradeiro conhecido foi o palácio do Imperador Romano Tito. Foi então que quase 1.400 anos depois ela reapareceu.

O Inacreditável

Um belo dia, um dos maiores gênios da humanidade, tinha feito uma pausa nos seus trabalhos habituais para desfrutar um almoço na companhia de um amigo. Este também um nome de peso na história ocidental. Neste interim um cidadão romano veio contar-lhes que havia descoberto o que parecia ser uma escultura clássica perdida, ele a havia a encontrado durante as escavações para a reforma de sua vinha.

Só a descrição dos acontecimentos, já parece trama de filme surrealista. Como se Dalí e Buñuel tivessem roteirizado o destino. Seus personagens estão diretamente ligados aos pilares da arte renascentista e por tabela aos clássicos.

f06-vista-do-que-resta-do-segundo-piso-das-termas-de-tito-1746

Gravura: Ruínas das termas de Tito. A imagem veio daqui.

O cidadão descobridor acreditava tratar-se de uma peça grega. Como naquela época, Roma vivia um furor no revival das artes clássicas graças ao renascimento, a maioria das pessoas sabia identificar uma obra importante, já que o convívio com obras gregas como aquela escultura não era um problema nem na Itália de outrora, nem na de agora.

O tal cidadão chamava-se Felice di Fredi. Sua vinha situava-se em uma propriedade localizada na zona das antigas Termas de Tito.

O Gênio em questão era nada mais, nada menos que Michellangelo Buonarotti, responsável por algumas das mais importantes, e belas, obras de arte da história da humanidade. Entre elas o teto da Capella Sistina no Vaticano e a Estátua de Davi.

basilica_de_sao_pedro_cidade_do_vaticano_italia_82441b4e7fe124d3c4cd942e37e087e3_basilica de sao pedro

Basílica de São Pedro. A imagem veio daqui.

O amigo em questão era Giuliano Sangallo, arquiteto do Papa Júlio II. Figura de importância por sua participação em grandes obras artísticas (Basílica Della Madonna, Basílica de Santa Maria Maior e Basílica de São Pedro) e relevantes acontecimentos históricos (Foi Engenheiro Militar do Papa, quando este encampou várias batalhas durante seu pontificado, principalmente para deter o domínio francês no território italiano).

Após o relato, ambos dirigiram-se imediatamente à vinha. Ao chegar lá, Michelangelo e Giuliano prontamente reconheceram a escultura. Ela estava quebrada em cinco pedaços, e impressionou Buonarroti pela qualidade do mármore esculpido e por sua influência helenística. Alguns dias depois Sangallo, o arquiteto, foi quem comunicou diretamente ao Papa a descoberta, que ato contínuo comprou a escultura por 4.140 ducados, e levou-a para o Palácio Belvedere no Vaticano. Além dos ducados, Felice foi recompensado com uma pensão vitalícia de 600 ducados anuais e teve o seu papel na descoberta referenciado em seu túmulo.

O Braço Quebrado.

Contudo a escultura, apesar de muitíssimo bem conservada para seus 1.400 anos, estava danificada, pois faltava um dos braços da figura que representava Laocoonte.

Uma espécie de concurso/banca, com grandes artistas da época, foi convocada pelo Papa Júlio II para definir qual deveria ser a posição original do braço na escultura. Rafael Sanzio, um dos grandes nomes do renascimento presidiu o júri. Até Bernini deu seu palpite. Entre as hipóteses, a de maior consenso (e escolhida) foi a de que o braço estaria esticado e Laocoonte reagindo ao ataque das serpentes enviadas por júpiter para matar a ele e seus filhos castigando-os por sua ousadia de atirar uma lança contra o Cavalo de Tróia.

Laocoonte e seus filhos - Intelectual - Kahlmeyer

Versão da estátua com o braço esticado. A imagem veio daqui.

Vários estudos de proporção e harmonia foram usados como argumento. Mesmo como voz solitária, Michelangelo insistia que a imagem tinha o braço flexionado, mas foi voto vencido. A escultura foi “refeita” e um braço esticado foi adicionado a ela.

Em 1957, cinco séculos depois, o braço da escultura foi encontrado e tinha a exata posição que Michelangelo previra: estava atrás da cabeça e flexionado para trás. Seria esta conclusão fruto da pura sensibilidade de um gênio?

Laooconte Guerra e Paz.

O Grupo de Laocoonte acabou se transformando em uma importante referência artística para a Europa e o ocidente, sendo, portanto motivo de cobiça de outros países, em detrimento ao Vaticano, nos séculos seguintes.

Durante o Quinto Concílio de Latrão, quando o Papa Leão X assinou diversos tratados para regularizar a Igreja Católica, encerrar o cisma do ocidente, e expurgar de vez o fantasma do antipapa, uma das exigências de Francisco I Rei da França para concordar com os termos do Vaticano para a reunificação do pontificado foi a de que o Grupo de Laooconte passaria a pertencer à França.

P1000147

Escultura de Baccio Bandinelli. A imagem veio daqui.

Mas como o Papa também era amante da arte clássica (mais um!) descumpriu o tratado e ao invés de enviar o Grupo, encomendou ao escultor Baccio Bandinelli uma cópia (com o braço esticado) a ser enviada para a França. Esta cópia acabou sendo a base para uma série de versões menores em bronze que circulam o mundo.

NAPOLEÃO-BONAPARTE.JPG

Napoleão Bonaparte. A imagem veio daqui.

Quando conquistou a Itália em 1799, Napoleão Bonaparte deu cabo ao desejo francês de possuir o grupo de Laocoonte, e com toda a pompa e circunstância levou finalmente a estátua para o museu do Louvre em Paris como espólio de guerra.

Depois da queda de Bonaparte a estátua foi restituída ao Vaticano em 1816, como um gesto de gentileza e diplomacia do governo Inglês, que encerrou as pilhagens napoleônicas e deu a estátua o seu lar derradeiro.

Controvérsias e “Lenda Urbana”.

Uma lenda surgiu depois da descoberta da estátua. Ela diz que Michelangelo, ansioso por ajudar sua família que passava por problemas, esculpiu ele mesmo uma versão da estátua baseada nos relatos de Plínio. E como ainda não era reconhecido como hoje, forjou a sua descoberta para assim aumentar o valor da obra de arte.

Depois de esculpir, fragmentou a estátua em vários pedaços e enterrou ele mesmo em local insuspeito (as antigas termas), associou-se a Felice di Fredi e combinou o dia e horário da “descoberta”, quando estaria casualmente almoçando com seu amigo e junto a ele referendaria a autenticidade da peça.

Segundo a lenda Michelangelo, não teria sido tão influenciado pela estátua como dizia, pois havia sido ele mesmo o autor da obra. Algumas fontes no passar dos séculos, fazem menção ao fato da obra, apesar de possuir fortes elementos gregos, também materializar todos os ideais da própria escultura renascentista, como a virilidade, a naturalidade, a força, a nobreza e a humanidade.

Durante toda a sua existência, o império romano sempre rivalizou com outras civilizações que lhe eram superiores em produção artística e cultural, como os gregos, os egípcios, os persas e os árabes.

Até o renascimento eles foram (por seu ímpeto e sucesso militar) os “brucutus” da antiguidade, os emergentes em termos de arte. Sendo assim, a ânsia de ter obras que demonstrassem a sua superioridade, ou qualquer indício de supremacia histórica sobre povos rivais antigos era muito bem vinda.

hrzgal.sistine

Capela Sistina – Vaticano. A imagem veio daqui.

Ciente disso o Papa Júlio II era um entusiasta das artes. Queria levantar a bola do império romano e demonstrar o “conteúdo” dos compatriotas. A notícia de uma descoberta desta magnitude certamente chamaria a atenção do Papa e este não pouparia esforços para adquirir a peça (como de fato o fez). Apesar de para termos de comparação tratar-se de uma escultura grega, ainda assim os romanos teriam a sua glória por a terem resgatado e saírem dessa história como guardiões, descobridores e entusiastas das artes, uma posição mais almejada do que a de meros conquistadores ou destruidores do patrimônio alheio.

Conta ainda a lenda que a certa altura dos acontecimentos, o Papa desconfiou da tramóia de Michelangelo, e que a banca era apenas um subterfúgio para descobrir a verdade, ou validar de uma vez por todas a autenticidade da obra.

Dizem que logo após a banca, o Papa ciente da tramoia de Michelangelo, optou por permitir a autenticação da escultura. Apaixonado e impressionado pela capacidade do artista, desta data em diante tornou-se seu principal patrocinador, contratando-o para entre outras obras o seu próprio e monumental mausoléu, o qual atestaria para a eternidade a supremacia da arte e do pensamento romano. A descoberta posterior do braço, na exata posição relatada por Michelangelo aumentou as especulações em torno da lenda de que havia sido ele mesmo o autor da obra.

Testes posteriores na estátua mostraram que seu mármore não era grego, e sim italiano. Outro teste aventou a possibilidade dela ter sido esculpida no século I ou II AC.  Assim como alguns estudos apontam que trata-se de uma versão romana de uma escultura em bronze de 140 AC.  Mesmo assim, a maioria das referências tratam a estátua como sendo do trio de escultures da ilha de Rodes: Agesandro, Atenodoro e Polidoro. Ou seja, detalhes importantes da obra continuam desconhecidos, bem como a data exata da peça original.

Embora este seja um blog de literatura clássica, abro aqui um espaço para especulação à la revista “Contigo” e congêneres:

E você? O que acha? Coincidência? Malandragem? Mão do destino? Especulação? Ou prova da sensibilidade incontestável de um gênio?

Fontes:

http://www.raulmendessilva.com.br/brasilarte/temas/laocoonte.html

http://turismoemroma.com/museu-do-vaticano-laocoonte-michelangelo/

http://www.todasasmusas.org/03eneias_tavares.pdf

http://penelope.uchicago.edu/Thayer/L/Roman/Texts/Pliny_the_Elder/36*.html

Sorteio de um exemplar de “Livro do Desassossego” de Fernando Pessoa no Twitter!

Sorteio no Twitter!

Nesta quinzena estamos sorteando um exemplar de “Livro do Desassossego” de Fernando Pessoa.  Concorra! Edição da Coleção ‘Companhia de Bolso’ da Companhia das Letras (pagamos o envio pelo correio).

Para participar: Siga-nos no Twitter (@dolivroedarosa) e escreva em um tweet o nome do autor (Fernando Pessoa) + #Dolivroedarosa + http://sorteia.eu/cyr

Link da Promoção: http://sorteia.eu/cyr

sorteio

Pistas de Nora – Parte Um – Conversa com a Senhora Linde

Alguns detalhes da peça “Casa de Bonecas” de Henrik Ibsen, são importantes para a assimilação da obra, no entanto, podem passar despercebidos pela maioria dos leitores.

Durante o vídeo pedi que vocês prestassem atenção em alguns detalhes, agora os comento aqui no blog em partes. Vamos à primeira delas:

Conversa com a Senhora Linde.

Um dos fatos mais inusitados da peça é a mudança de Nora no decorrer da história, mas será que isso realmente aconteceu?

Logo na primeira cena do texto, em uma conversa com sua amiga, ela deixa claro que não.

Quando a Senhora Linde faz uma comparação entre a vida das duas, não consegue conter o impulso de se fazer de vítima, e a reação da protagonista é instantânea. Em duas falas ela, por assim dizer, coloca a amiga em seu devido lugar. Tudo isso, apesar de sutil, é o primeiro indicativo de quem na verdade ela é.

diálogo nora 3blog

Um pequeno detalhe, numa simples troca de palavras é revelador quanto à trajetória interior desta personagem, que sabe defender sua honra como ninguém.

Na realidade, Nora sempre foi senhora de si, e isto é bem referenciado a partir deste ponto durante a conversa. Ela apenas se adequou a vida das pessoas com quem conviveu, e em especial na dos dois homens mais importantes da sua vida.

Até este momento, a heroína havia se mostrado uma mulher, alegre, fútil e docemente desatenta. Este arroubo mostra que a banda nunca tocou desse jeito. Todo o seu comportamento é um papel, primeiro representado para o pai e posteriormente para o marido. E a sua exata natureza, até então oculta, aflora.

Nora diálogo 2blog

Para todos os efeitos, e principalmente para estes dois homens, ela era uma boneca, e toda a sua existência, seus anseios e seu ser mais complexo, era para eles um arremedo do que consideravam vida. Era um complemento do brinquedo: a casa de bonecas.

No andamento da peça não podemos deixar de perceber algumas coisas sobre Nora. Por exemplo, uma pessoa com tanta presença de espírito, não pode ser levada, ou conduzida ao que quer que seja. Ela não “despertou” para a verdade, apenas constatou que as bases do seu casamento sempre foram frágeis. E que o seu posicionamento em relação ao do marido era flagrantemente assimétrico.

tonia carrerocasadebonecas

Tônia Carrero como Nora / Fonte da imagem

Outra coisa a ser salientada é que ela sabia muito bem o que havia feito e carregava esta proeza como uma insígnia de glória. Em seu íntimo era ciente de que seu ato não poderia ser considerado totalmente reprovável. Sentia em seu coração possuir a reciprocidade de entendimento do marido, que se decepcionaria, é verdade. Mas não deixaria de ver, em nenhum momento também na imprudência um ato de amor.

Para ela foi um crime plenamente perdoável, embora indiscreto. Já dizia Nietzsche: “O que se faz por amor sempre acontece além do bem e do mal”. Aforismo típico de quem vive a embriaguez de uma vida idealizada. Pôxa Nora! O cara morreu de sífilis! Mesmo que ignorasse a máxima, qualquer coisa em seu entorno poderia tê-la feito se ligar…

Mas Nora não via em seu comportamento anulação propriamente dita. Para ela era um gesto de amor, um teatro inocente, pois se acreditava amada sem nunca questionar os limites, e as conveniências vinculadas a este amor. A verdade é dura.

Enfim, viver em uma casa de bonecas não é coisa para pessoas de carne e osso.

“A morte de Ivan Ilich” – Liev Tolstói

Aqui você encontra todos os textos sobre a obra em questão:

Nota de Início – Impressões e considerações pré-leitura.

Nota de Conclusão – Impressões e considerações pós-leitura.

Relatório de Leitura – Um diário de leitura, com as dificuldades e particularidades da leitura de cada livro. O meu dia-a-dia com o livro e com a experiência de sua leitura.

Guia de Leitura – Dicas para facilitar a leitura, o entendimento da trama, e a melhor assimilação da obra.

“A morte de Ivan Ilich” – Nota de Conclusão

literar-ivanilitch01

A imagem veio daqui.

Lido.

Enfim, a primeira coisa que eu posso dizer sobre o livro, foi que não me identifiquei com o protagonista. Sou diferente de Ivan Ilich, não faria as escolhas que ele fez.

Inclusive para mim foi difícil internalizar o conflito do personagem, conseguir entender a leveza das suas atitudes, de certa forma, ele me irritou um pouco.

Fora isso, o texto de Tolstói é ótimo. A habilidade dele de dar profundidade à cena e construir diferentes camadas a cada passagem é fantástica.

Não tive problemas em ler o livro, que, diga-se de passagem, é bem pequeno. Tolstói foi direto ao ponto e não enrolou. A velocidade de leitura correu a contento. Fiquei satisfeita com a estrutura e o desenrolar da história. O livro é uma jóia. É curto, valioso, e esteticamente interessante. Gostei da proposta e da desenvoltura do autor ao trabalhá-la.

“A morte de Ivan Ilich” – Nota de Início

Antes de qualquer coisa vale fazer uma ressalva: o livro mencionado na lista do The Guardian/Clube do Livro da Noruega possui uma constituição diferente das disponíveis no Brasil. Naquele volume ele inclui vários contos alguns pouco publicados no Brasil. Portanto, se você espera ler o mesmo exemplar, desista. Para termos idéia do conteúdo eleito como essencial pelo júri, é necessária uma gambiarra. Primeiro saber os contos, ver o que existe disponível no Brasil e depois procurar o que falta pela internet.

Pretendo fazer uso do site Domínio Público, que dispõem de todos os itens. O ponto negativo é que as obras estão em inglês, mas de fato não encontrei outra saída. Quanto à parte dos contos, confesso que não sou uma conhecedora profunda dessa parte da obra de Tolstói, e pelo levantamento que já fiz, desconheço uma boa parte deles. Estou louca para conhecer!

Já o carro-chefe, “A morte de Ivan Ilich”, já o li na época de faculdade, por isso não chega a ser uma novidade. Posso dizer que é um livro curto. Lembro de tê-lo lido com facilidade, mas como passaram-se muitos anos, existem lacunas abertas, e assim como com “Ana Karenina”, quero saber se o livro que eu lembro, é o mesmo que eu li.

Minhas conclusões vão ser as mesmas? Minhas passagens favoritas também? O que a memória fez questão de esquecer? E o mais importante: o que permanece vivo em mim, pois ela fez questão de guardar?